
O ex-secretário de Estado de Saúde do Acre, Pedro Pascoal, voltou ao centro do debate político ao criticar publicamente a atual condução da Sesacre após o impasse envolvendo pagamentos à empresa GoiásMed, responsável por cirurgias eletivas de ortopedia e traumatologia na rede estadual.
A fala, no entanto, chama atenção por um detalhe que não passa despercebido: Pedro Pascoal esteve à frente da Secretaria de Saúde por quase três anos e deixou o cargo justamente para seguir projeto político-eleitoral, agora como pré-candidato a deputado federal. Ou seja, muitos dos problemas que hoje ele aponta também passaram pela mesa de decisão do próprio ex-secretário.
Segundo informações divulgadas, a GoiásMed havia notificado a Sesacre sobre risco de paralisação parcial dos atendimentos caso pagamentos referentes a fevereiro, março e abril não fossem regularizados. A secretaria, por sua vez, negou suspensão dos serviços e informou que o pagamento havia sido processado e encaminhado à instituição bancária.
Mesmo assim, Pedro Pascoal usou o episódio para criticar a gestão. A postura, porém, abriu espaço para questionamentos: se havia falhas estruturais, pendências financeiras e dificuldades administrativas na saúde, por que esses problemas não foram definitivamente resolvidos durante o período em que ele comandou a pasta?
A trajetória de Pedro na Sesacre também não foi livre de polêmicas. Durante sua gestão, a saúde enfrentou episódios de desgaste, como a greve dos médicos da rede estadual, em 2024, quando apenas serviços de urgência e emergência foram mantidos. Também houve questionamentos públicos sobre recursos destinados a cirurgias no Juruá, caso em que o governo precisou rebater acusações envolvendo R$ 17 milhões para procedimentos eletivos.
Outro episódio de repercussão foi o caso das marmitas servidas a servidores do Samu, quando foram encontrados tapurus em refeições fornecidas por empresa terceirizada. Na época, a própria Sesacre, sob comando de Pedro Pascoal, informou que notificaria a empresa e abriria procedimento investigativo.
Agora, fora do governo e em novo palanque político, Pedro tenta se apresentar como crítico da saúde estadual. Mas o discurso esbarra na memória recente: ele não é um observador distante da crise, e sim alguém que esteve no centro da administração da área por quase três anos.
Na prática, a cobrança feita pelo ex-secretário também se volta contra sua própria gestão. Afinal, a saúde que ele critica hoje é, em grande parte, a mesma estrutura que ele ajudou a conduzir até deixar o cargo para disputar as eleições de 2026.
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