
Vice-prefeito de Mâncio Lima chegou à política com forte articulação de Deda Amorim, mas agora segue caminho oposto e escolhe candidato de Sena Madureira em vez de apoiar Maria Antônia ou outro nome do Juruá
A política é marcada por alianças, compromissos e, principalmente, lealdade. Em Mâncio Lima, porém, a decisão do vice-prefeito Andinho nesta eleição começa a ser vista como uma verdadeira traição política ao grupo que abriu as portas para sua chegada ao poder.
Andinho, que antes de ocupar a Vice-Prefeitura possuía pouca expressão no cenário político regional, teve no ex-prefeito de Rodrigues Alves Deda Amorim um dos principais articuladores de sua entrada na política. Foi com o apoio e a articulação do grupo de Deda e da deputada estadual Maria Antônia que seu nome ganhou força para integrar, como candidato a vice, a chapa encabeçada por Zé Luiz em Mâncio Lima.
Agora, depois de conquistar espaço e mandato, Andinho resolveu seguir outro caminho. Em vez de apoiar a reeleição de Maria Antônia, justamente uma das principais lideranças do grupo que contribuiu para sua ascensão política, o vice-prefeito decidiu investir na candidatura de Gene Diniz, de Sena Madureira.
A escolha chama ainda mais atenção porque, segundo as informações que circulam nos bastidores políticos, Andinho não deverá apoiar nenhum candidato a deputado estadual da região do Juruá, preferindo levar seu apoio para um nome de outra região do Acre.
DEPOIS DE CHEGAR AO PODER, O ROMPIMENTO
A situação inevitavelmente levanta uma pergunta nos bastidores: onde ficou a gratidão política?
Deda não apenas apoiou Andinho. Foi apontado como peça fundamental na articulação que colocou seu nome no cenário político de Mâncio Lima e ajudou a viabilizar sua candidatura a vice-prefeito. Maria Antônia também fazia parte do grupo político que o acolheu e trabalhou por sua eleição.
Por isso, para antigos aliados, a decisão de abandonar Maria Antônia justamente no momento em que ela disputa a reeleição tem sabor de ingratitude e traição política.
Andinho parece ter escolhido esquecer rapidamente quem esteve ao seu lado quando ele ainda buscava espaço na política. E chama atenção que a troca seja justamente por Gene Diniz, político de Sena Madureira e sem a mesma ligação histórica com Mâncio Lima e com o Juruá atribuída ao grupo que ajudou o atual vice-prefeito a chegar onde está.
O ELEITOR VAI JULGAR
Andinho tem, naturalmente, o direito político de escolher quem deseja apoiar. Mas também terá que conviver com o julgamento político de suas escolhas.
Se a estratégia dará resultado, somente as urnas e o tempo dirão. O que dificilmente será apagado da história recente de Mâncio Lima é que Andinho chegou à Vice-Prefeitura depois de ser abraçado e lançado politicamente pelo grupo de Deda Amorim — e, na primeira grande eleição após conquistar seu mandato, decidiu virar as costas para Deda e Maria Antônia.
Mín. 21° Máx. 39°

