
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) e a Polícia Federal investigam um contrato de locação firmado durante a gestão do ex-prefeito César Andrade, em Porto Walter, envolvendo um imóvel pertencente à família de um vereador do município. O contrato previa o pagamento de R$ 9.450 por mês para que o prédio abrigasse a Secretaria Municipal de Educação.
O imóvel foi alugado da empresária Tatiane Almeida Cameli, filha do vereador Radi Teles Cameli, conhecido como Belo. A contratação, formalizada por meio do Contrato nº 029/2025, passou a ser alvo de apuração após o surgimento de indícios apontados em um Relatório de Comunicação de Atividades Atípicas (COAT nº 037/2025).
Segundo as informações levantadas pelos órgãos de controle, um dos principais pontos investigados é a relação de parentesco entre a proprietária do imóvel e o parlamentar. A suspeita é de que o prédio pertença, na prática, ao vereador, que o teria transferido para o nome da filha antes da locação ao Poder Executivo Municipal. A situação está sendo analisada à luz da Lei Orgânica do Município, que estabelece restrições para contratos envolvendo vereadores e seus interesses.
Outro aspecto destacado na investigação é a ausência da certidão de matrícula do imóvel entre os documentos apresentados no processo de contratação, documento considerado essencial para comprovar a propriedade do bem.
De acordo com o relatório técnico, os elementos identificados justificam o aprofundamento das investigações para verificar se houve eventual violação aos princípios da administração pública. Caso sejam constatadas irregularidades e a Justiça reconheça prejuízo aos cofres públicos, os responsáveis poderão ser obrigados a ressarcir os valores pagos pelo município, além de responder às medidas cíveis e criminais previstas em lei, sempre assegurados o direito ao contraditório e à ampla defesa.
No início da atual administração municipal, o imóvel deixou de ser utilizado pela Prefeitura e foi devolvido à família do vereador. Atualmente, o prédio funciona como escritório de advocacia.
Em nota, a Prefeitura de Porto Walter informou que está colaborando com as investigações e permanece à disposição do Ministério Público e da Polícia Federal para prestar todos os esclarecimentos necessários.
A reportagem tentou contato com o vereador Radi Teles Cameli para obter um posicionamento sobre o caso, mas não houve resposta até o fechamento desta matéria.
Até o momento, não há decisão judicial definitiva, e a investigação segue em andamento.
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