
Deputado relata paralisação de ônibus e embarcações e defende medidas para garantir o acesso de estudantes às escolas
Durante a sessão desta terça-feira (18) na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) voltou a abordar os problemas relacionados ao transporte escolar na zona rural do Estado. O parlamentar apresentou relatos de estudantes, pais e trabalhadores do transporte escolar que apontam paralisações de ônibus e embarcações utilizadas para levar alunos às unidades de ensino.
Um dos relatos apresentados durante o pronunciamento trata de uma comunidade localizada no ramal da Elza, na região do Projeto Zé Machado, em Capixaba. Segundo o depoimento, uma semana havia se passado sem que os ônibus escolares circulassem pela localidade. Das seis linhas que atendem a escola, quatro seriam de responsabilidade estadual.
O relato também aponta que os veículos utilizados no transporte escolar apresentam problemas recorrentes e que não haveria um ônibus substituto para atender os estudantes durante as interrupções. A situação, segundo o depoimento, estaria comprometendo a frequência escolar e o calendário de avaliações.
Outro vídeo exibido durante o pronunciamento apresentou o relato de um trabalhador responsável pelo transporte fluvial de estudantes. Ele afirmou que os serviços estavam paralisados em razão de pagamentos atrasados, mencionando dificuldades relacionadas a salários e ao aluguel das embarcações. “Eu, como barqueiro, estou parado sem trazer os alunos para a escola por falta de pagamento, de salários atrasados, aluguel atrasado”, relatou.
O trabalhador também afirmou que a paralisação estaria prejudicando os próprios filhos, que dependem do transporte para frequentar as aulas.
“Estão condenando a juventude rural a não ter acesso ao ensino público”
Após apresentar os relatos, Edvaldo Magalhães chamou atenção para os impactos da interrupção do transporte escolar na formação dos estudantes da zona rural. Segundo o deputado, em algumas localidades os alunos estariam há semanas sem conseguir chegar às escolas.
Ele citou ainda a situação de estudantes que, conforme o relato apresentado, estariam iniciando avaliações referentes ao primeiro bimestre somente no terceiro bimestre do ano letivo. “Estão condenando a juventude rural a simplesmente não ter acesso ao ensino público”, afirmou.
O parlamentar também mencionou a situação de trabalhadores responsáveis pelo transporte fluvial em Tarauacá, relatando a existência de pagamentos pendentes referentes ao aluguel das embarcações e aos salários dos prestadores de serviço.
Cobrança por providências
Edvaldo questionou a demora na adoção de medidas administrativas para garantir a continuidade do transporte escolar e defendeu que o Poder Público avalie alternativas para evitar que os estudantes continuem sendo prejudicados.
Durante o pronunciamento, o deputado afirmou ainda que os recursos destinados ao transporte escolar devem assegurar a prestação do serviço e cobrou fiscalização dos contratos e providências diante das paralisações.
Ele também defendeu que a Assembleia Legislativa faça uma manifestação institucional em defesa da regularidade do transporte escolar rural. “Acho que o Poder Legislativo deveria, no mínimo, fazer uma manifestação de cobrança institucional a esse descaso com a educação rural do nosso Estado”, declarou.
Ao encerrar, Magalhães reforçou que a interrupção do transporte escolar representa um problema que ultrapassa a questão administrativa e atinge diretamente o direito dos estudantes de frequentarem as escolas e cumprirem o calendário letivo.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Foto: Sérgio Vale
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