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Tragédia não pode virar palanque político

Em momentos de tragédia, a população espera das lideranças políticas solidariedade, apoio às vítimas e compromisso com a busca por soluções.

06/06/2026 às 13h01
Por: Redação Fonte: Folha do Jurua
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Tragédia não pode virar palanque político

Em momentos de tragédia, a população espera das lideranças políticas solidariedade, apoio às vítimas e compromisso com a busca por soluções. O que menos se espera é que episódios de dor coletiva sejam utilizados como oportunidade para promoção pessoal ou fortalecimento de projetos eleitorais.

 

Após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, uma série de autoridades passou a se manifestar publicamente sobre o ocorrido. Entre elas, o senador Alan Rick, que tem seu nome frequentemente citado como pré-candidato ao Governo do Acre nas eleições de 2026.

 

A atuação de representantes políticos diante de crises é natural e até desejável. Fiscalizar, cobrar providências e acompanhar os desdobramentos de fatos que impactam a população faz parte do papel institucional de qualquer parlamentar. No entanto, quando a comunicação adotada busca destacar excessivamente a participação individual do agente político em ações que já estavam sendo executadas pelos órgãos competentes, surgem questionamentos legítimos sobre as reais intenções da exposição.

 

Desde os primeiros momentos após o acidente, equipes do Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Polícia Militar e demais órgãos estaduais já estavam mobilizadas para prestar assistência às vítimas e coordenar as medidas emergenciais. A resposta inicial ao desastre partiu das instituições responsáveis pela proteção da população e pelo gerenciamento de situações de crise.

 

Diante desse cenário, a tentativa de associar a rápida mobilização do aparato público à intervenção de um único agente político pode transmitir à sociedade uma percepção equivocada sobre o funcionamento das instituições. O socorro às vítimas e a apuração das causas da tragédia não dependem da iniciativa individual de um parlamentar, mas sim de protocolos e estruturas permanentes do Estado.

 

A questão central não é a presença de políticos no debate sobre o ocorrido, mas a forma como essa participação é apresentada à opinião pública. Em períodos pré-eleitorais, toda demonstração pública ganha contornos ainda mais sensíveis, especialmente quando envolve eventos que causaram sofrimento a famílias acreanas.

 

A população espera que tragédias sirvam para promover reflexões sobre infraestrutura, prevenção de acidentes e responsabilidades administrativas. O foco deve estar na busca por respostas concretas e na adoção de medidas que evitem novos episódios semelhantes, e não na construção de narrativas políticas capazes de gerar dividendos eleitorais.

 

Mais do que discursos e aparições públicas, o momento exige respeito às vítimas, transparência na investigação dos fatos e compromisso com soluções efetivas. O protagonismo, neste caso, deve ser das equipes que atuaram no resgate, dos profissionais que atenderam os feridos e das instituições encarregadas de esclarecer as causas do acidente.

 

Quando a dor coletiva se transforma em instrumento de marketing político, corre-se o risco de desviar a atenção do que realmente importa: a segurança da população e a responsabilidade dos gestores públicos em evitar que novas tragédias aconteçam.

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