A política costuma ser generosa com quem tem boa memória eleitoral, mas deveria ser ainda mais exigente com quem busca um novo mandato. É justamente esse o caso do ex-prefeito de Rodrigues Alves, Jailson Amorim.
Ao colocar seu nome novamente no debate político, surge também uma obrigação inevitável: prestar contas à população sobre os episódios que marcaram sua administração.
Durante sua passagem pela Prefeitura, a gestão enfrentou desgastes que não podem ser ignorados. Houve multa aplicada pelo Tribunal de Contas do Estado por falhas no envio de informações obrigatórias. Também chamou atenção a tentativa de contratar um show milionário que acabou suspensa após questionamentos do próprio órgão de controle. Soma-se a isso o alerta relacionado ao elevado comprometimento da folha de pagamento, situação que colocou o município em evidência pelos motivos errados.
Outro ponto que certamente continuará sendo cobrado pela população diz respeito à emenda parlamentar destinada pela ex-deputada federal Vanda Milani para a construção da orla de Rodrigues Alves. O projeto foi anunciado como uma importante obra de infraestrutura e lazer para o município, mas a população não viu a obra sair do papel durante a gestão de Jailson Amorim.
Independentemente das razões administrativas que tenham impedido a execução, o fato é que a orla, aguardada por muitos moradores, não foi entregue. Para quem pretende retornar ao cenário eleitoral, essa é uma questão que merece explicações claras. Afinal, o eleitor tem o direito de saber o que aconteceu com um projeto considerado estratégico para o desenvolvimento e valorização da cidade.
Além dessas questões, a atual administração municipal tem enfrentado dificuldades administrativas e financeiras relacionadas a pendências herdadas da gestão anterior. Entre os desafios apontados estão problemas na estrutura administrativa e em contratos, situação que tem exigido medidas de reorganização para garantir a continuidade dos serviços públicos. Essas alegações também fazem parte do debate político e reforçam a importância de que os fatos sejam esclarecidos à população.
Nenhum desses episódios desaparece porque o mandato terminou. Pelo contrário. Eles passam a fazer parte do histórico administrativo de quem agora pretende convencer o eleitor de que está preparado para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Na política, pedir voto é fácil. Difícil é responder pelas decisões tomadas quando se tinha a responsabilidade de administrar recursos públicos.
Mais do que discursos, o eleitor espera coerência. Mais do que promessas, espera resultados. E mais do que marketing político, espera transparência.
Quem deseja representar todo o Acre precisa estar disposto a enfrentar perguntas importantes: o que deu certo, o que deu errado, quais lições foram aprendidas e como pretende evitar que situações semelhantes se repitam. Essas respostas interessam muito mais do que qualquer slogan de campanha.
O eleitor acreano merece menos propaganda e mais prestação de contas. Afinal, um novo mandato não pode servir para apagar as páginas mais controversas de uma gestão. Ao contrário: deve começar justamente por elas.
Em uma democracia madura, o voto não pode premiar apenas a popularidade. Deve reconhecer competência, responsabilidade e capacidade de explicar, com fatos, os acertos e também os erros do passado.