Política Acre
“Eu não saí do governo. O governo me tirou da mesa.”
Entrevista exclusiva com o deputado federal e pré-candidato ao Senado Dr. Eduardo Velloso sobre sua saída da base de Mailza, os bastidores da chapa que o excluiu e a decisão de compor com Bocalom
02/08/2026 14h12
Por: Redação Fonte: Redação

A política acreana ganhou um novo capítulo com a saída do deputado federal Dr. Eduardo Velloso da base da governadora Mailza Assis. Com o anúncio da chapa de Mailza — tendo Jéssica Sales como vice e os senadores Márcio Bittar e Gladson Cameli como candidatos ao Senado — não restou espaço para o parlamentar que vinha construindo sua pré-candidatura ao Senado. Velloso agora compõe a chapa do prefeito Tião Bocalom, ao lado do vice Sargento Adônis, como candidato único ao Senado. Em entrevista exclusiva, o deputado federal abre o jogo sobre os bastidores da sua saída, o que sentiu ao ser preterido e por que acredita que a nova aliança pode surpreender o Acre.

A SAÍDA DA BASE DE MAILZA

1.      Deputado, o senhor foi pego de surpresa com o anúncio da chapa de Mailza ou já esperava que ficaria de fora?

Eu sempre me senti meu excluído, não pela governadora e tenho certeza que ela tem um carinho especial por mim e eu por ela. Sempre me mostrei firme ao seu lado, mesmo eu NUNCA tendo uma foto minha em partipações conjuntas em suas redes sociais, desde anúncio da minha pré-candidatura ao senado. Por isso tinha um pé atrás, mas esperava fazer parte da chapa, achei que pela fidelidade fariam como a outra candidatura fez, teríamos 3 senadores na chapa.

2.      O senhor chegou a ser procurado pela governadora Mailza antes da definição da chapa? Houve alguma conversa sobre o seu espaço como candidato ao Senado?

Não, em partes até entendo a governadora, vistos que muitos do governo comentavam que o um certo candidato teria exigido a minha não participação na chapa, não sei se é verdade mas era o comentário.

3.      Quando o nome de Jéssica Sales foi confirmado como vice e Bittar e Gladson como senadores, o que passou pela sua cabeça naquele momento?

Passou-me que eu não poderia desistir de trabalhar, pois faço de tudo para mudar a vida das pessoas.

4.      O senhor sente que foi preterido por uma questão política ou pessoal? Houve alguma pressão de Bittar ou de Gladson para que o senhor ficasse de fora?

Esse tipo de praticas não faz parte do meu jeito de fazer política, prefiro achar que não aconteceu isso.

5.      O senhor fez gestos de aproximação com o governo — inclusive cedendo aliados e estrutura partidária. Sente que houve ingratidão da parte de Mailza?

Não acho, tenho certeza que o coração de Mailza está comigo, ela sabe o quanto fomos leais um com o outro.

6.      Nos bastidores, fontes do governo disseram que a orientação agora, nas palavras delas, "arrancar tudo dele". O senhor teve conhecimento disso? Como recebeu essa informação?

Sei que a governadora não fará isso, mesmo porque ela me respeita e eu a respeito, jamais farei algo que possa prejudica - lá, apenas estamos momentaneamente em times diferentes, mas em breve poderemos estar juntos, pois essa eleição aparentemente será de 2 turnos.

A RELAÇÃO COM BITTAR E GLADSON

7.      O senhor acredita que Márcio Bittar trabalhou ativamente para tirá-lo da chapa de Mailza?

Prefiro continuar achando que não

8.      Com Gladson condenado pelo STJ a 25 anos e com inelegibilidade praticamente certa, o senhor acha que a presença dele como candidato ao Senado na chapa de Mailza é viável ou é apenas uma estratégia para ocupar espaço?

Compreendo pouco do mundo jurídico, mas enquanto existir possibilidades ele deverá manter sua candidatura.

A DECISÃO DE IR COM BOCALOM

9.      Quando e como surgiu a possibilidade de compor a chapa do prefeito Bocalom?

A abertura do caminho passa por uma pessoa em comum, o prefeito Alisson que está dando um show de gestão e foi o grande articulador desta aproximação.

10.   O que o levou a aceitar? Foi a falta de espaço na chapa de Mailza ou a convicção de que Bocalom oferece um projeto melhor para o Acre?

Acredito no projeto produzir para empregar e Bocalom aceitou minhas opiniões para mudar a vida das pessoas começando pela saúde.

11.   O senhor será o candidato único ao Senado na chapa de Bocalom. Isso é uma vantagem ou uma pressão a mais?

Independente de ser único ou não, pretendemos mostrar para o Acre que nosso projeto realmente pode mudar a vida as pessoas.

12.   Como o senhor avalia a força política de Bocalom hoje? Ele tem condições reais de disputar o governo com Alan Rick e Mailza?

É um candidato competitivo, que tem um histórico de disputas majoritárias e que já passou pelo executivo 5 vezes e em todas as vezes a população aprovou seu trabalho, sem nenhuma condenação processual.

13.   Sargento Adônis como vice de Bocalom. O que essa escolha representa para a chapa?

 Uma pessoa idônea que representa o vale do Juruá e já mostrou sua liderança nas urnas.

O CENÁRIO ELEITORAL

14.   Com a direita dividida entre três candidatos ao governo — Alan Rick, Mailza e Bocalom — quem mais perde com essa fragmentação?

Ninguém perde, as pessoas passam a ter mais opção.

15.   O senhor disputa o Senado contra Bittar, Gladson, Mara Rocha e possivelmente Jorge Viana, Petecão, Inácio e Junior Feitosa. Como pretende se diferenciar num campo tão disputado?

Mostrando o trabalho que já realizamos e que mudou a vida de milhares de pessoas. Nós temos entrega e podemos fazer muito mais no senado Federal, principalmente na saúde.

16.   Muita gente diz que estão tentando afogar o senhor politicamente. O senhor se sente perseguido?

Como disse anteriormente, essas práticas não fazem parte da minha política, nunca perseguir ninguém e não sei se estou sendo perseguido, minha ações são pautadas em trabalho e mudança da vida das pessoas.

17.   O senhor já comparou sua situação com a de Alan Rick em 2022 e Petecão em 2010 — candidatos que ninguém dava nada e surpreenderam. O senhor acredita que pode repetir esse feito?

Com certeza, o nosso trabalho e as nossas entregas, nos deixa em uma situação bastante competitiva.

O LADO PESSOAL

18.   Deputado, o senhor é médico oftalmologista, criou vários projetos, operou milhares de acreanos. O que a política tem feito com o ser humano Eduardo Velloso?

Depois de superado a doença da minha filha que na época tinha 9 anos, reforçou ainda mais após a superação do câncer do meu pai. Deus estava me mostrando que o estado do Acre estava precisando de um olhar mais carinhoso para a saúde para mudar a vida das pessoas.

19.   O senhor já pensou em desistir e voltar apenas para a medicina?

Não, tenho propósitos, tais como, a entrega de um novo Hospital da criança, um novo Hospital do idoso, um tratamento de saúde digno para as pessoas em tratamento de câncer, evitando que essas tenham que viajar para outro estado. E mais dignidade na saúde para todos os municípios, para que todos tenham uma unidade de saúde com centro cirúrgico, com atendimento em pediatria, ginecologia, cirurgião geral, ortopedista e médico anestesista, fora o clinico geral que já temos. E a valorização dos trabalhadores do SUS.

MENSAGEM FINAL

20.   O que o senhor diria para o eleitor que acreditava no senhor dentro da base de Mailza e agora o vê do outro lado?

Estamos no mesmo campo político, apenas em times diferentes.

21.   Se pudesse falar diretamente com a governadora Mailza, o que diria?

Tenho certeza que você me entende e me deseja o bem, assim como eu também desejo o seu.

22.   Por fim, deputado: por que o Acre deveria eleger Eduardo Velloso senador?

Porque a população Acreana, anseia por desenvolvimento, principalmente na saúde e o senado pode proporcionar essa mudança na vida das pessoas. Como Deputado Federal já conseguimos fazer muito e o senado Federal vai ampliar nossa capacidade de entrega.